Com a chegada do
final do ano, muitos clientes estão preocupados com estar envelhecendo e simplesmente
ver a vida passar, ainda com uma ideia do passado de que envelhecer significa
ficar em casa e no máximo cuidar dos netos.
Atualmente a
melhor idade como costumamos chamar aqui no Espaço, está em constante
transformação, tanto pelos avanços da saúde que permitem vivermos cada vez
mais, mas também por uma mudança de atitude geracional.
Encontrei esse
texto abaixo que fala exatamente dessa transformação, em que o autor sugere que
não devemos nem mesmo chamar mais de sexagenários, mas sim de Sexalescentes.
Aproveitem a
vida e esse período de festas para estar com quem se ama e curtir cada momento.
Estando bem, a idade é apenas um número a mais!
Nathália
Villela de A. Bezerra.
Sexalescentes
Se estivermos atentos, podemos notar
que está aparecendo uma nova franja social: a das pessoas que andam à volta dos
sessenta anos de idade, os sexalescentes: é a geração que rejeita a palavra
"sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se
envelhecer.
Trata-se de uma verdadeira novidade
demográfica - parecida com a que, em meados do século XX, se deu com a
consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens
oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem
como vestir-se.
Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta, teve uma vida razoavelmente
satisfatória.
São homens e mulheres independentes que
trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos
autores deram durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e
encontraram, há muito, a atividade de que mais gostavam e que com ela ganharam
a vida.
Talvez seja por isso que se sentem realizados... Alguns nem sonham em
aposentar-se.
E os que já se aposentaram, gozam plenamente cada dia, sem medo do ócio ou da
solidão, crescem por dentro, quer num, quer na outra.
Desfrutam a situação, porque, depois
de anos de trabalho, criação dos filhos, preocupações, fracassos e sucessos,
sabem bem olhar para o mar, sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um
pássaro da janela de um 5.º
andar...
Neste universo de pessoas saudáveis,
curiosas e ativas, a mulher tem um papel destacado. Traz décadas de experiência
de fazer a sua vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar
lugares na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar.
Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o
feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude, em que eram tantas
as mudanças, parou e refletiu sobre o que, na realidade, queria.
Algumas optaram por viver sozinhas,
outras fizeram carreiras que sempre tinham sido exclusivamente para homens,
outras escolheram ter filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas,
médicas, diplomatas ...
Mas cada uma fez o que quis:
reconheçamos que não foi fácil, e, no entanto, continuam a fazê-lo todos os
dias.
Algumas coisas podem dar-se por adquiridas.
Por exemplo, não são pessoas que
estejam paradas no tempo: a geração dos "sessenta", homens e
mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito toda a vida. Escrevem
aos filhos que estão longe (e vêem-se), e até
se esquecem do velho telefone para contactar os amigos - mandam e-mails com
suas notícias, ideias e vivências.
De uma maneira geral, estão
satisfeitos com o seu estado civil e, quando não estão, não se conformam e
procuram mudá-lo. Raramente se desfazem em prantos sentimentais.
Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos.
Ninguém se põe a chorar quando perde:
apenas reflete, toma nota, e parte para outra ...
Os maiores partilham a devoção pela
juventude e as suas formas superlativas, quase insolentes de beleza; mas não se
sentem em retirada.
Competem de outra forma, cultivam o seu
próprio estilo ... Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do
desporto, ou dos que ostentam um Armani, nem as mulheres sonham em ter as
formas perfeitas de um modelo. Em vez disso, conhecem a importância de um olhar
cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência.
Hoje, as pessoas na década dos
sessenta estreiam uma idade que não tem nome. Antes seriam velhos, e agora já
não o são. Hoje têm boa saúde, física e mental, recordam a juventude, mas sem
nostalgias, porque a juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de
problemas.
Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios...
Talvez por alguma secreta razão, que só sabem e saberão os que chegam aos 60 no
século XXI ...
(Autor desconhecido)