Espaço SER- Psicologia

MISSÃO:

Ampliar a promoção do “cuidado amoroso”¹ e o desenvolvimento humano mantendo sempre a qualidade de excelência.

Objetivos:

OBJETIVOS:

Nosso objetivo é difundir para um maior número de pessoas, uma psicologia diferenciada, focada no “cuidado amoroso”¹, para promoção do desenvolvimento emocional. Visamos não apenas oferecer atendimentos de qualidade como também ensinar aos terapeutas como cuidar do ser humano dessa forma respeitosa e amorosa.

Estratégias de atuação:

ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO:

Para buscar a nossa missão e objetivos, o Espaço SER Psicologia trabalha com dois pilares principais de atuação:

1- O primeiro é focado no cuidado oferecido a todas as pessoas, sejam clientes, alunos, profissionais etc.

1.1- Em nossos meios digitais visamos sempre trazer reflexões que possam tocar emocionalmente cada pessoa estimulando a troca de experiencias e “ampliação de fronteiras”.

1.2- No nosso Espaço físico, valorizamos sempre promover um ambiente acolhedor onde todos possam se sentir à vontade para falar de suas dificuldades e necessidades emocionais com um sentimento de familiaridade e conforto.


2- O segundo pilar é focado na educação continuada.

2.1- Constante qualificação dos profissionais da equipe do Espaço, com novas técnicas e metodologias de atuação, bem como participação de workshops emocionais para constante desenvolvimento pessoal.

2.2- Para o público em geral, mas principalmente para os Psicólogos ou alunos de graduação em Psicologia, estamos sempre criando e oferecendo atividades de qualificação, para que eles se desenvolvam não apenas teoricamente, mas também técnica e praticamente. Acima de tudo, a nossa proposta é promover um aprendizado humanizado para que os terapeutas se tornem mais humanos e amorosos com seus clientes.


Definições:

1-“cuidado amoroso”- Entendemos como cuidado amoroso o estabelecimento de uma relação acima de tudo, humanizada, de amor e respeito pela totalidade da pessoa que chega pedindo ajuda. Acreditamos que esse cuidado deve ser sem julgamentos ou preconceitos, acolhendo as dores do cliente, de uma maneira onde passamos a fazer parte dessa história para assim melhor acolher e promover o suporte terapêutico.


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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Os Problemas atuais da Infância!

    Essa semana teremos no Espaço a palestra da outra coordenadora Vivilaine Matura e resolvi então entrar no clima do tema com esse post.
    Ter filhos é sempre um grande desafio e nos dias de hoje, com tantos estímulos e pressões, parece que as crianças estão cada vez mais sujeitas a crises de ansiedade, agressividade na escola ou mesmo comportamentos de isolamento completo.
    Esse é um assunto muito presente nos atendimentos aqui do Espaço e também nas nossas discussões e preocupações de como a psicologia pode auxiliar essas crianças e suas famílias.
    Divido abaixo uma matéria publicada pela revista Época em fevereiro de 2011 para promover em vocês também a reflexão.
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI208862-15257,00-CRIANCA+NAO+DEVE+FICAR+TAO+PREOCUPADA.html

    Aproveitem a palestra nesse sábado e um bom final de semana a todos!

Nathália Villela de A. Bezerra.





Criança não deve ficar tão preocupada
A infância deveria ser a época mais relaxada da vida. Mas o número de crianças ansiosas aumentou 60% em uma década no Brasil. Como perceber – e tratar – o distúrbio
Nelito Fernandes 
PRESA ÀS HORAS 

Letícia acordava várias vezes para ver quantas horas faltavam para uma festa. Em tratamento, ela já consegue dormir sem o relógio
As crianças são, por natureza, ansiosas. Todo pai sabe que vai ouvir mais de 20 vezes a pergunta sobre quanto tempo falta para acabar a viagem ou chegar o dia do aniversário. Mas às vezes a ansiedade passa dos limites. É comum que uma menina de 11 anos pergunte quando vai ser uma festa. Não é comum que ela durma com um relógio e acorde durante a noite para checar quantas horas faltam. Letícia dos Santos fazia isso. Todo evento importante era precedido de grande sofrimento. “Ela chegava a ter falta de ar e uma vez desmaiou antes de uma prova”, diz a mãe, a comerciária Sirlene dos Santos.
O desmaio serviu de alerta. A mãe a levou a uma emergência, mas não constataram nenhum problema físico. O pediatra não conseguiu encontrar uma causa para o desmaio. Algum tempo depois, quando o avô de Letícia precisou amputar uma perna, em decorrência de hepatite, sua ansiedade explodiu. “Ela não podia visitá-lo, então cismava que ele tinha morrido”, diz a mãe. “A Letícia pedia para eu provar que ele estava vivo, que o pusesse para falar com ela no celular.” A mãe começou a pensar em procurar um psicólogo e acabou vendo um anúncio da Santa Casa com os sintomas da ansiedade infantil. Reconheceu a filha em cada palavra que leu: preocupação excessiva, sofrimento por antecipação, dificuldade de dormir.
O distúrbio que acomete Letícia é cada vez mais frequente no Brasil. Um levantamento feito pelo Centro de Atendimento e Pesquisa de Psiquiatria da Infância e Adolescência (Capia) da Santa Casa do Rio de Janeiro mostra que em dez anos o número de crianças com o transtorno cresceu 60%. O Capia costuma atender 40 crianças a cada semana. Há dez anos, oito delas, em média, saíam com o diagnóstico de ansiedade. Hoje, são 13. Também em São Paulo se nota um aumento de casos, diz Fernando Asbahar, coordenador do projeto de Transtornos Ansiosos da Infância e Adolescência no Hospital das Clínicas, embora ele não tenha uma contagem como a do Rio.
De acordo com a Associação Americana de Transtornos de Ansiedade, entre 9% e 15% da população de 5 a 16 anos sofre do distúrbio. Na falta de estudos que mostrem se esse porcentual varia de um lugar para outro, os psiquiatras brasileiros trabalham com a mesma estimativa. Há sinais de que o mundo moderno tenha agravado o problema. Um levantamento feito com 300 estudantes americanos pelo pesquisador Jean Twenge, da Universidade de Cleveland, concluiu que as crianças americanas são sete vezes mais ansiosas do que há 70 anos. Twenge pesquisou questionários do “Inventário de personalidade”, aplicado no Estado de Minnesota a todos os alunos do ensino médio desde 1938. As crianças de hoje mostram-se mais inseguras sobre seu futuro, confiam menos em si próprias e demonstram medo de não ter controle sobre fatores externos.
O transtorno é potencialmente grave. Em suas formas mais severas, a ansiedade pode afetar o raciocínio, a habilidade de tomar decisões, a percepção de seu ambiente, o aprendizado e a concentração. Além disso, vem se formando entre os médicos o consenso de que muitas desordens da vida adulta, desde dificuldades de relacionamento até a depressão, têm suas primeiras manifestações na infância – e em muitos casos poderiam ser evitadas com tratamento precoce. Esse tratamento é relativamente simples. Em poucas semanas de acompanhamento psicológico, Letícia já consegue dormir sem o relógio ao lado da cama e se mostra mais tranquila. 


MENINA EXEMPLAR 

Vitória não tira nota menor que 9, se dedica muito aos amigos e até rejeita presentes. São sintomas de ansiedade
A grande dificuldade, em casos como o dela, é o diagnóstico. Apesar de serem tão comuns, os distúrbios de ansiedade costumam passar despercebidos – talvez porque seus sintomas comportamentais sejam tão parecidos com virtudes. É o caso de Vitória de Anchieta Custódio, de 10 anos. Ótima aluna, ela não se conforma com notas menores que 9. Está sempre preocupada com a saúde dos avós. Quando eles adoecem, pergunta o tempo todo à mãe sobre o estado de saúde deles. Vitória não cede à tentação do consumo desenfreado e até rejeita presentes: ela se importa com a situação financeira da família. Se chove, Vitória liga para o pai para saber se está tudo bem e se ele voltará para casa em segurança. Tem poucos amigos – e se dedica extremamente a eles. Parece, enfim, uma menina exemplar. Mas suas características dão sinais de uma espécie de sofrimento.
É difícil atinar que as qualidades tão prezadas nos filhos possam indicar problemas. Tão difícil que mesmo os sintomas físicos costumam ser ignorados. Em 80% dos casos a ansiedade vem acompanhada de manifestações como náusea, vômitos, dores de barriga, úlceras, diarreia, falta de ar, fraqueza ou até queda de cabelo. Em geral, os pais procuram pediatras queixando-se do problema orgânico e a ansiedade fica mascarada.
Se o pediatra levanta a possibilidade de ser algo psicológico, muitos pais reagem mal. “Nós sofremos muita pressão dos amigos quando dissemos que a Vitória iria a um psicólogo, mas hoje ela está bem melhor”, diz a mãe, Carla Parreira.
Para tentar sanar a subnotificação do distúrbio, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) iniciou uma campanha com os pediatras, orientando-os para os sintomas mais comuns. “Percebemos que a maioria dos casos de dores abdominais persistentes e também de perda de peso tem origem psicológica. A orientação aos pediatras é que eles considerem essa possibilidade no diagnóstico”, diz Eduardo da Silva Vaz, presidente da SBP. Ele afirma que crianças “terceirizadas” são mais propensas a sofrer ansiedade por causa da separação. “Hoje as mães trabalham e muitas costumam deixar os filhos com babás. Quem tem filho tem de saber que nos primeiros anos de vida é essencial ter tempo para ele.”
Para Fabio Barbirato, coordenador do Capia, no Rio, o número de diagnósticos cresceu porque os profissionais estudam mais o transtorno e estão mais capacitados para detectá-lo. Cresceu também a quantidade de psiquiatras infantis no Brasil. Há dez anos eram 150, hoje são 600. Mas, sem a ajuda dos pediatras, a maioria dos casos de ansiedade ainda ficará sem tratamento. E crianças ansiosas dificilmente serão curadas sozinhas. Barbirato diz que o mais comum é que se tornem adultos ansiosos, que passarão a noite em claro na véspera de apresentar um projeto corriqueiro no trabalho e evitarão situações sociais nas quais se sintam desconfortáveis. De acordo com estudos internacionais, em 80% dos casos um menino ansioso vira um adulto deprimido.
É possível que o número de casos no Brasil esteja crescendo apenas como consequência de melhoras no processo de diagnóstico. Mas os médicos também apontam uma tendência social. As crianças de hoje, segundo Barbirato, estão expostas a mais pressão. “Com 5, 6 anos, eles já estão se preparando para os vestibulinhos. A nota média nas escolas subiu e existe uma cobrança maior por desempenho”, diz. A violência também provoca a ansiedade. Psicólogos relataram um aumento de consultas no período em que se noticiou o caso da menina Isabella Nardoni, jogada da janela do apartamento do pai, em São Paulo. Outro fator de estresse seria a exposição às conversas de adultos. As crianças estariam, hoje, mais expostas a discussões sobre dinheiro, brigas dos pais, conflitos no trabalho ou na sociedade. Sem maturidade para saber que estão protegidas, as crianças fantasiam perigos.
Ansiedade é como alergia. Você tem uma reação desproporcional a algo corriqueiro
Há, porém, a opinião oposta. “As crianças de hoje são protegidas demais”, diz a filósofa e escritora Tania Zagury, autora de Limites sem trauma. “Elas são pouco exigidas. Então quando chega a hora de um vestibulinho, de uma cobrança na escola, elas não sabem como lidar, não foram preparadas.” Para Tania, a ansiedade é fruto do imediatismo que tomou conta da sociedade.
Ou talvez não seja nada disso. Segundo um estudo publicado no mês passado na revista Nature, a ansiedade pode estar gravada em nosso DNA tanto quanto a cor dos olhos ou do cabelo. Embora fatores externos exerçam influência, a predisposição para a ansiedade seria hereditária. Cientistas do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, monitoraram um grupo de 1.500 macacos e constataram que os 238 mais ansiosos eram da mesma família. Um mapeamento cerebral dos animais mostrou que as duas áreas do cérebro mais ligadas a esse sentimento, a amígdala e o hipocampo, funcionavam de forma parecida no grupo, com a atividade intensa, maior do que nos mais calmos, assim que uma possível ameaça surgia. 


APROVADA

Concorrendo a uma vaga na escola técnica, Graziela se achava doente. Não passou. Com o tratamento, no ano seguinte foi bem-sucedida
As duas regiões do cérebro são responsáveis por identificar um problema e decidir uma resposta a ele. No grupo de macacos mais ansiosos, a reação era exagerada – como nos ansiosos humanos – e se mantinha mesmo depois que a ameaça cessava. “O estudo é um grande passo para mostrar que a ansiedade é muito mais biológica do que imaginamos”, disse Ned Kalin, neurologista da Universidade de Wisconsin.
Não é incomum haver irmãos ansiosos. O irmão menor de Vitória, Gabriel, fez tratamento quando tinha 7 anos. Entre os pacientes da Santa Casa, 88% têm um pai ou uma mãe ansioso. “Isso muitas vezes dificulta o tratamento porque o pai, por ser ansioso, acha o filho normal e diz que com o tempo passa”, diz Barbirato.
Um dos maiores obstáculos para identificar o transtorno é que o problema não está na existência da ansiedade, mas no grau em que ela aparece. A ansiedade faz parte da vida. Desde a tenra infância, os desafios que enfrentamos podem provocar retração, busca de apoio, aversão ao risco, até falta de confiança em si mesmo. Normalmente, esses problemas desaparecem quando a criança aprende a lidar com a situação nova ou quando a situação muda. É assim com a troca de escola, entrar na piscina ou no mar, fazer provas etc. A ansiedade é um mecanismo de proteção. Em 1996, fez sucesso um livro do então presidente da Intel, Andy Grove, defendendo a tese de que, no mundo dos negócios, só os paranoicos sobrevivem. “Em quantidade normal, a ansiedade pode fazer a pessoa crescer e se desenvolver”, diz a psicóloga Lilian Lerner de Castro, vice-presidente da Associação dos Portadores de Transtorno de Ansiedade (Aporta).
Ansiedade de menos é ruim. Relaxados, somos mais vulneráveis. Um estudo da seguradora inglesa Elephant mostrou que 65% dos acidentes de carro acontecem num raio de menos de 10 quilômetros de casa – quando nos sentimos tranquilos e baixamos a guarda. Mas ansiedade demais paralisa. “Enquanto o deprimido remói o passado, o ansioso vive preso no futuro”, diz Angela Donato Oliva, professora de pós-graduação do Programa de Psicologia Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A ansiedade é como uma forte alergia psicológica. Você tem uma reação desproporcional a algo que, para os outros, é corriqueiro.”
No caso de uma criança assim, a simples ida à casa de um coleguinha detona uma onda de preocupação e expectativa exacerbada. “Quando a gente dizia que ele iria visitar algum amigo, o Bruno ficava perguntando quando ia ser, como ia ser. Se preocupava com tudo, com a roupa que ia, quem ia levar, que horas ia voltar. Isso às vezes semanas antes”, diz a professora Fátima Aparecida Borges da Costa, mãe de Bruno, de 9 anos, que faz terapia para combater a ansiedade.
Se é assim com visitas, o que dizer de mudanças mais radicais? Gabriele Rodolfo, de 9 anos, teve de trocar de escola quando os pais se separaram. Não aceitou. Teve medo dos novos colegas e professores. Horas antes da aula ela começava a ter ânsias de vômito. Levada à força, tinha crises de choro. A mãe, Fátima Fernandes, acabou tirando-a da escola e hoje ela tem uma professora particular. Ainda assim, Gabriele só aceitou a presença da estranha depois que começou o tratamento contra a ansiedade. “Ela passou a ter medo de tudo e é muito tímida”, diz a mãe.
Crianças que são “pequenos adultos”, muito responsáveis, também podem ser ansiosas. Quando Bruno começou a demonstrar preocupações incompatíveis com sua idade, a mãe desconfiou que havia algo de errado. “A gente dava um presente e ele perguntava: mas você vai poder pagar isso? No início eu achava que ele fosse só um menino responsável, o filho-padrão que todo pai quer ter”, diz Fátima. Quando ele soube que a mãe trabalharia no Censo e ia ter de entrevistar pessoas, Bruno começou a temer que ela encontrasse algum maníaco. O garoto começou a ter descamações na pele. Os medos foram evoluindo a ponto de Bruno não conseguir mais dormir sozinho. Hoje, o garoto está sendo acompanhado por um psicólogo e já mostra sinais de melhora. 


FORA DA ESCOLA 

Gabriele não aceitou a mudança de colégio. A mãe acabou contratando uma professora particular
Os pais têm papel fundamental no tratamento. E o ingrediente mais importante é paciência, misturada com carinho. Na maioria das vezes, a ansiedade é temporária. Pesquisas mostram que 90% das crianças entre 2 e 14 anos têm pelo menos um temor específico. Até os 2 anos, pode ser o medo de separar-se dos pais ou o susto com barulhos fortes. De 3 a 6 anos, os mais comuns são os medos de seres imaginários ou do escuro. Entre 7 e 16 anos, os temores podem ser de se machucar, ir mal na escola, desastres naturais. Como saber, então, se a ansiedade passou dos limites aceitáveis? Especialistas afirmam que os pais devem se preocupar quando a criança der sinais claros de estar sofrendo, quando o transtorno afetar sua rotina (notas baixas, vida social afetada) ou quando ela passar a apresentar sintomas físicos.
O tratamento pode envolver apenas acompanhamento psicológico e, em alguns casos, medicação (em geral, para aumentar o nível de serotonina, que provoca sensações de relaxamento). A terapia, sozinha, leva entre dois e quatro meses para mostrar resultados. Quando tratadas só com medicação, as crianças apresentam melhora em apenas 15 dias, mas o índice de recaída é alto, de 30%.
Perceber o problema e tratá-lo pode mudar a vida de quem sofre do transtorno. Em 2009, Graziela de Caro, de 16 anos, fez inscrição para concursos seletivos em escolas técnicas do Rio. Durante a preparação, seu comportamento mudou. “Ela sempre achava que estava muito doente, que alguma coisa ruim ia acontecer. Isso desestruturava toda a família”, afirma a mãe, a funcionária pública Marinele Reis, de 40 anos. Graziela acordava de madrugada com medo. Tinha dor de cabeça, tonturas, ia ao médico, que nada encontrava. Acabou não passando nas provas. No ano passado, começou a fazer tratamento. “Ela ficou mais tranquila e, agora, passou para a Fundação Oswaldo Cruz”, diz Marinele. Graziela concorria com outros 30 alunos no curso de gerência de saúde. Livre da ansiedade, conseguiu. 





quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Que Deixa uma Criança Feliz



Aproveitando esse período de férias escolares, resolvi divulgar uma matéria que saiu na revista Época no ano passado sobre o que deixa as crianças felizes.
A matéria confirma o que vejo muito no consultório, principalmente nos atendimentos de família. Momentos juntos de diversão e lazer é o melhor remédio para o bem estar de TODA a família, que fica mais saudável, harmoniosa e unida para enfrentar os problemas que podem surgir.
Como terapeuta de família, estimulo esses momentos, até mesmo dentro da sessão em que proponho trabalhos cooperativos para entender como é o funcionamento do sistema familiar.
Aproveitem para brinca e estar com uma criança. Essa atitude faz bem não apenas para os pequenos, mas para todos os envolvidos.

Nathália Villela de A. Bezerra. 




 Criar filhos felizes é uma das maiores preocupações dos pais – e começa antes mesmo de eles nascerem. O que deixa as crianças realmente felizes? Brinquedos, viagens ou parques de diversões? Uma pesquisa exclusiva mostra, pela primeira vez, o que sentem as crianças brasileiras. E ninguém melhor que elas próprias para contar o que as deixa felizes ou tristes.
A pedido da Sociedade Brasileira de Pediatria, o instituto de pesquisas Datafolha ouviu 1.525 crianças, de 4 a 10 anos, de 131 municípios. Até então, não existia no Brasil uma investigação sobre esses sentimentos. Não era possível afirmar se a diferença cultural ou a classe econômica poderia contribuir para o grau de felicidade na infância. Para surpresa dos pesquisadores, nenhum desses fatores foi significativo. Crianças do Recife deram respostas muito parecidas com as de São Paulo ou Porto Alegre. “Os sentimentos se mostraram universais”, afirma Eduardo Vaz, pediatra, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
O estudo contemplou os estados emocionais da criança em relação à família, ao futuro, às brincadeiras e à escola. E aí veio mais uma surpresa: o que deixa a criança mais feliz são coisas simples, como estar com os avós, brincar com os amigos e praticar esportes. Para saber se os pais têm essa mesma percepção, ÉPOCA conversou com dez famílias, das cinco regiões brasileiras. A seguir, os resultados.


Família
 
Querer ficar perto dos pais, dos irmãos e... dos avós. Sim, dos avós também. É isso que deixa 87% das crianças brasileiras mais alegres, de acordo com a pesquisa. E eles estão mais presentes no dia a dia dos netos por vários motivos.
Os avós de hoje chegam à velhice mais saudáveis, conectados e menos saudosistas. Lucia Maria Chavez mora em São Paulo e os netos, Fernando, de 11 anos, e Leonardo, de 5 anos, em São Carlos. Mas eles se falam todos os dias, por Skype ou telefone. Quando a mãe, a nutricionista Fernanda Mozeto, trabalhava fora e uma das crianças tinha febre, a avó percorria os 255 quilômetros que separam as duas cidades para cuidar do neto. “Os avós são repositórios da história daquela família”, diz Lídia Aratangy, psicóloga, autora de Novos desafios da convivência (Ed. Rideel). “A presença deles traz, para a criança, a segurança de onde ela veio.”
Estar perto dos pais também é motivo de alegria para a maioria das crianças. Para 87%, ficar perto da mãe; para 78%, do pai. E um dos fatores que mais entristecem as crianças é ficar longe deles. Cerca de 71% dizem ficar muito tristes quando longe do núcleo da família (geralmente o pai e a mãe).
O dia do aniversário aparece como motivo de alegria para 96% das crianças. Não só os presentes são responsáveis pela felicidade dos pequenos, mas a atenção que recebem na data da família e dos amigos também – além do próprio fato de crescerem oficialmente.
Longe do estereótipo de família perfeita, saber que a proximidade é tão importante para o bem-estar da criança pode ajudar os pais a, dentro do possível, adotar pequenas atitudes que façam diferença para os pequenos. Pode ser um recado surpresa na lancheira, uma ligação no meio da tarde, um SMS ou usar a hora do almoço para buscá-lo na escola. Levar ao cinema ou a um parque também é bom, mas a presença dos pais faz mais diferença que o tipo de programa. Como disse o escritor Guimarães Rosa, “felicidade se acha em horinhas de descuido”.
Fazer refeições em família, mostrou a pesquisa, deixa 87% das crianças felizes. Mas e aquele dia em que a mãe chega tarde do trabalho e os filhos estão dormindo? “Esses momentos pontuais não importam se os pais estão presentes”, afirma Lídia. Presença física é importante, mas não é só a isso que Lídia se refere quando fala em presença. Saber onde o filho está, o que vai comer, se está usando casaco em dia de frio, se voltou da escola bem ou se vai ter um aniversário de um colega e é preciso comprar um presente são cuidados à distância que fazem diferença na relação familiar. “As crianças sentem essa conexão”, diz Lídia.
Uma vez que é ouvida, valorizada, recebe atenção e carinho, a criança sente que pode confiar nos pais. Essa confiança torna-se um canal aberto para o diálogo na adolescência. O que não significa que percalços não acontecerão. Mas, se algum problema ocorrer, esse adolescente tem intimidade para se abrir e pedir ajuda.


 Futuro e autoestima

Essa teia de intimidade construí¬da com a família se reflete em outra área importante no desenvolvimento infantil: a autoestima, capacidade de se gostar e de se valorizar. A pesquisa mostrou que os pais estão no caminho certo: 86% das crianças ficam alegres quando se veem numa fotografia e 87% quando se imaginam adultas.
Gostar de ver a própria imagem é um sinal positivo sobre a autoestima. Ficar feliz ao se imaginar adulto demonstra segurança sobre quem é, o que vai se tornar e mostra esperança no futuro. Para Odair Furtado, psicólogo, professor do programa de psicologia social da PUC-SP, isso é reflexo de uma mudança profunda em nossa sociedade. A condição de vida do brasileiro melhorou, principalmente nas classes mais baixas, e a perspectiva de futuro, enfim, deixou de ser apenas sonho. “O futuro se concretizou”, afirma.
A imagem é um dos blocos na construção da autoestima. Os outros blocos podem ser aprendidos no dia a dia, com a ajuda dos pais. Valorizar conquistas, como quando a criança aprende a andar de bicicleta sem rodinhas, é uma delas. E ajudar a levantar do chão quando ela cair. “Os pais precisam permitir que o filho enfrente desafios”, diz Ana Olmos, psicanalista infantil e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).
Mas nem sempre ela vai conseguir. Aprender a se frustrar é tão importante quanto saber lidar com críticas quando elas dão apoio para avançar e não desistir. Por exemplo: ensinar à criança os melhores movimentos para o jogo de damas é educativo. Deixar propositadamente que ela ganhe, não. “Quando for confrontada fora de casa, não vai saber lidar com isso”, diz Ana.
Uma amostra de como a criança percebe as críticas familiares de forma positiva é como ela percebe a bronca de uma forma diferente dos pais. Para sete dos dez pais ouvidos, bronca é o maior motivo de tristeza para os filhos dentro de casa. Para 71% das crianças, a maior chateação é ficar sem os pais. A bronca não aparece como motivo de tristeza no levantamento. “Mesmo quando fica triste por ser repreendida, a criança se sente inconscientemente protegida”, diz Ana Olmos. “A partir dos 6 anos, as crianças têm a percepção consciente de que os pais estão discutindo com elas para seu bem.”
 

 
Brincadeiras

Um dos dilemas dos pais modernos é o que oferecer para que os filhos tenham as melhores oportunidades no futuro. Além de se preocupar com cursos extracurriculares, como aulas de língua estrangeira, é importante preservar o tempo da brincadeira. “Brincando as crianças aprendem habilidades que vão além do desenvolvimento motor e cognitivo”, afirma Maria Ângela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP. “Ela aprende a argumentar, a ser ouvida, a prestar atenção, a organizar e liderar, a propor novas alternativas.”
Na pesquisa da SBP, as brincadeiras aparecem como atividades favoritas quando as crianças não estão na escola. E, ao contrário do que muitos pais pensam, tecnologia não é o primeiro item da lista. Seis entre dez pais entrevistados apontaram videogames e internet como distrações favoritas. Na pesquisa com as crianças, apareceram brincar de boneco ou boneca e de carrinho como brincadeiras individuais favoritas. Videogame está em quarto lugar nessa categoria. Dentre as distrações em grupo, as crianças elegeram jogar bola, andar de bicicleta e brincar de esconde-esconde. As atividades que faziam sucesso na infância dos adultos são as mesmas que fazem a alegria dos pequenos de hoje.
Outra impressão dos pais desfeita pela pesquisa é o que deixa os filhos muito tristes. Os adultos de sete famílias, dentre as dez ouvidas, apontaram perder em jogos e competições. Para 47% das crianças, tristeza é brincar sozinho. Perder não foi citado como motivo de tristeza.
 A publicitária Adriana Ceresér, de 37 anos, leva as filhas, Gabriela, de 9, e Gisela, de 6, desde pequenas para brincar em espaços públicos, mesmo tendo quintal em casa. “Quero que elas tenham outros núcleos de amizade”, afirma. Nos fins de semana, toda a família anda de bicicleta. Quando não vão, as meninas reclamam. “Sinto que isso as deixa desenvoltas.” E os ganhos são físicos também. “Elas já andam de bicicleta sem rodinhas, enquanto os primos, que não passeiam sempre, ainda usam”, diz Adriana. As brincadeiras são um estímulo para as crianças se engajarem numa atividade física no futuro. A pesquisa mostra que 93% delas gostam de praticar esporte. Como explicar, então, que uma em cada três crianças, segundo o Ministério da Saúde, está acima do peso? É simples. “Gostar não significa que pratiquem, nem que conheçam diversas opções”, diz Beatriz Perondi, pediatra e médica do esporte do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Brincar com jogos esportivos no videogame não substitui a prática de verdade. Uma hora de brincadeira gasta cerca de 700 calorias, em comparação a 150 calorias em frente à televisão. “Fazer do esporte uma atividade familiar prazerosa contribui para a formação do hábito de praticar depois”, diz Beatriz.



Escola
Quando perguntadas do que gostavam na escola, as crianças não titubearam: 91% citaram as férias. E 89%, o recreio. O segundo número mostra que a escola é um lugar onde a criança se sente bem porque tem a oportunidade de interagir. “Elas gostam dos momentos em que podem brincar sem atividades guiadas”, afirma Maria Márcia Malavasi, coordenadora de pedagogia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A lição é motivo de alegria (acredite) para 65% das crianças. A servidora pública Lara Barcelos de Carvalho, de 38 anos, moradora de Sobradinho, no Distrito Federal, faz questão de acompanhar a hora da lição de casa. Caçula de 16 irmãos, ela quer dar aos filhos Matheus, de 11 anos, Felipe, de 7, e Geovana, de 6, o acompanhamento que não teve. “Eles entendem melhor quando estudo com eles”, afirma. Os amigos dos filhos pedem para fazer trabalhos do colégio na casa de Lara. “Desejo que cada um desempenhe, da melhor forma, a capacidade que tem.” E esse não é um caminho para alcançar a felicidade?










































quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Poder do Brincar!


    Completando a ideia de que brincar ajuda a lidar com os problemas da vida adulta, encontrei essa matéria da neurocientista Suzana Herculano, para a revista Mente e Cérebro, onde defende a ideia de que o “brincar” da infância desenvolve as nossas capacidades e personalidades de adulto. Ela completa ainda que, “brincar” auxilia no alívio do estresse em qualquer idade.

    “Além de aprender na prática a controlar a si mesmo, o cérebro de quem brinca aprende formas mais saudáveis de regular suas respostas ao estresse. Ratinhos criados em isolamento ou com irmãos sedados demais para brincar tornam-se adultos ansiosos e estressados: em situações ameaçadoras, os animais que não brincam na infância são mais dados a arroubos de agressividade ou, ao contrário, a se esconder... A brincadeira bruta expõem os filhotes a pequenos estresses, com os quais eles vão aprendendo a lidar desde cedo. Assim quem sabe um dia eles possam considerar seus problemas adultos, “brincadeira de criança”...”*

    Portanto a neurociência também concorda que o brincar, pode auxiliar no alívio da tensão e também no desenvolvimento da criatividade e na capacidade de lidar com situações inesperadas, que muitas vezes no adulto, pode ser muito difícil de e adaptar, além de causar muito estresse.
     Essa semana continuo com minha dica: brinquem, divirtam-se sozinhos ou com quem você mais gosta!  

Nathália Villela de A. Bezerra. 
                                       

*HERCULANO, Suzana; De Brincadeira; Revista Mente e Cérebro N. 233, ANO XIX. P. 17. 2012.