Nesse
mês, dei uma entrevista para a jornalista Simone Sayegh do site UOL sobre a
relação Felicidade X Dinheiro.
Divido
aqui com vocês o link da matéria que saiu e abaixo a entrevista na integra.
Dinheiro traz felicidade?Se sim,
como?
Até
certo ponto sim, pois podemos conquistar coisas materiais, como casa, viagem,
carro etc. Até aqui ele traz uma felicidade, associada a nossa satisfação de
realizar algo que queremos, mas depois disso, o dinheiro deixa de ser algo que
nos traz de fato felicidade, pois não há dinheiro nenhum que compre nossos
sonhos mais íntimos, ou qualquer sentimento genuíno.
Você acredita que dinheiro gasto com
os outros traz felicidade e dinheiro gasto conosco não traz? Ou vice versa?
Como
tudo na vida, temos que buscar um equilíbrio e o segredo para isso é dar
ouvidos as nossas necessidades e sentimentos. Por exemplo, é muito bom poder
dar uma viagem para um filho, mas eu acredito que seja muito melhor você poder
ir viajar com esse filho, viver uma série de experiências diferentes das
rotineiras e descobrir coisas novas de ambos os lados.
Acredito
que o dinheiro é um grande facilitador para tornar algumas coisas possíveis,
mas o objetivo principal de gastar dinheiro consigo ou com o outro é o prazer e
isso só poderemos ter se escolhermos viver e experimentar coisas novas.
A cultura do dinheiro e sucesso leva
a felicidade?
Pelo
o que vejo no consultório, infelizmente não. Essa fórmula tem levado as pessoas
cada vez mais para a solidão e não para a felicidade.
Acredito
que isso esteja acontecendo com mais frequência, pois a cultura do dinheiro e
sucesso, é uma cultura consumista, nunca nos satisfazendo com o que temos,
procurando ganhar cada vez mais e ter mais sucesso, o que nos leva a afundarmos
mais no trabalho e nos estudos, ficando cada vez mais isolados e perdendo as
coisas simples da vida, o que na minha opinião, são a base para entendermos o
que é a felicidade. Um sorriso de um filho, um abraço de um familiar, um “te
amo” de um amigo ou um simples nascer do sol.
Essas
pequenas coisas podem não ser o sinônimo da felicidade, mas se não somos
capazes de valorizar e aproveitar a simplicidade da alegria e bem querer,
também não seremos capazes de ser verdadeiramente felizes.
Se a pessoa não tem satisfação
básica de suas necessidades, comer, dormir, descabsar, saúde, como ela pode ser
feliz?Podemos dizer que esse conceito de felicidade está atrelado a satisfação?
Ou felicidade seria serenidade, como
diz o filosofo francês, ex ministro da educação na França, Luc Ferry.
Pra
mim a felicidade é um estado de espírito, o dinheiro favorece em muito, quando
supre nossas necessidades básicas, mas não porque compra a nossa felicidade e
sim porque diminui as nossas angustias e preocupações, abrindo mais espaço
emocional para olharmos para nossos sentimentos positivos, como amor e
felicidade.
É
muito difícil uma pessoa em grande sofrimento conseguir olhar para as coisas
positivas da sua vida. Isso tudo depende muito da personalidade de cada pessoa,
algumas têm força suficiente para ser muito feliz, mesmo sem dinheiro.
Pode comentar a pesquisa da revista,
sob seu ponto de vista?
Eu
gostei muito da pesquisa, pois entendo que ela tem como proposta levar-nos a
uma reflexão acerca da nossa própria vida, pois principalmente como psicóloga,
entendo que critérios subjetivos são essenciais para essas pesquisas, uma vez
que o próprio conceito de felicidade pode mudar drasticamente de uma pessoa
para outra.
Acho,
entretanto que é muito difícil chegar a alguma conclusão que não seja a de
olharmos para a nossa vida com um pouco mais de atenção, pois a relação
dinheiro X felicidade está equivocada do princípio, pois não podemos medir medidas
diferentes.
A
felicidade é um sentimento, ou seja, não podemos tê-la, apenas senti-la,
diferentemente do dinheiro que podemos ter e quantificar numericamente.
Afinal, o que o dinheiro supre? Ele
pode nos fazer feliz?
O dinheiro
supre nossos desejos e necessidades materiais e, o sentimento de realizar e
conquistar algo contribui para nossa
felicidade, mas ser feliz de fato, está ligado muito mais a nossa própria
capacidade de sentir e valorizar pequenas ou grandes coisas na nossa vida!
Nathália Villela de A. Bezerra.